Nesta palestra, Elemar Jr. compartilha sua experiência com inteligência artificial sob uma perspectiva estratégica e de negócios, focando nos porquês da adoção de IA e em como reduzir o custo e o risco de mudanças nas organizações.
Tecnologia como enabler ou restrição ⏱ 0:00
•É difícil imaginar qualquer atividade importante em uma organização que não seja suportada por tecnologia.•Tecnologia pode ser vista como enabler (facilitador) ou como restrição.•Em muitas empresas, tecnologia é mais restrição do que enabler: qualquer mudança no sistema implica em 6 meses pelo menos.•Pergunta provocativa: na sua empresa, tecnologia é percebida como enabler ou como restrição?A síndrome do adolescente e o problema dos prazos ⏱ 3:42
•Existe a "síndrome do sexo entre adolescentes": muitos falam como especialistas, poucos realmente fizeram.•Qualquer pessoa que se apresente como especialista em IA merece quatro ou cinco interrogações.•Time de negócio especifica hipóteses, não requisitos; time de tecnologia deveria maximizar throughput, não dar prazos.•Mais de 90% do tempo entre solicitação e entrega é de tarefa parada (esperando detalhamento, teste, implementação).•Se tudo é importante, nada é prioridade. Negócio define prioridade; tecnologia maximiza entrega.Reduzir custo e risco de mudança ⏱ 18:15
•O desafio de quem trabalha com tecnologia é reduzir o custo e o risco de fazer mudança ao longo do tempo.•Para programador: reduzir custo e risco de mexer no código. Para arquiteto: na arquitetura. Para gestor: na organização.•A boa gestão suporta mudanças de escala sem perder eficiência; escala destrói sonhos.•Exemplo: Netflix em 2018 tinha 1 milhão de requests por segundo; a maioria das empresas não é Netflix.•Não adotar IA do jeito certo configura um risco competitivo: 30% de diferença em estrutura de custo é muito.Tornar mais barato e mais fácil o que se faz todo dia ⏱ 24:17
•O grande oportunidade com IA é tornar mais fácil e mais barato aquilo que é feito todos os dias, não a grande transformação.•Reduzindo custo e risco do dia a dia, consequentemente reduz-se custo e risco de fazer mudança.•Exemplo: na Eximia, criaram aplicação que gera artigos a partir de insights dos consultores, seguindo guia de estilo.•Outro exemplo: sistema de CRM onde vendedor liga via Bluetooth para um agente de IA que preenche os dados da visita.•Caso pessoal: Elemar criou um fluxo N8N + Whisper + GPT + Eleven Labs para responder áudios da esposa automaticamente.O que não vai mudar nos próximos 10 anos ⏱ 26:59
•Jeff Bezos: para estratégia, a pergunta não é o que vai mudar, mas o que não vai mudar nos próximos 10 anos.•Na Amazon, não muda: clientes querem entregas mais rápidas e pelo preço mais baixo.•Toda concepção estratégica deve ser feita em cima das não mudanças.•Dica: conversem com o pessoal de negócio e perguntem o que não vai mudar nos próximos 10 anos.•Vetores exponenciais: processamento, armazenamento, conectividade – comuns a todas as organizações exponenciais (Uber, Netflix, Amazon).O impacto da IA no trabalho e na carreira ⏱ 29:54
•30% do trabalho na Microsoft já é feito por IA (Satya Nadella confirmou que a previsão é até pessimista).•Trabalho de desenvolvedor tem três momentos: intenção, design, implementação. IA é muito boa na implementação; colabora no design; não faz bem a intenção.•A função do júnior está sumindo em todos os mercados: advogado júnior que lia contratos, programador júnior.•Fenômeno da "juniorização": pleno vira júnior, sênior vira pleno.•Raridade e utilidade determinam remuneração. Se seu trabalho pode ser feito por IA, seu valor tende a zero.•Dica: desenvolva a capacidade de atualizar mapas mentais das pessoas – isso será raro e útil.Nova arquitetura de soluções com IA ⏱ 63:27
•A arquitetura proposta tem três blocos: interações (usuários, eventos, sensores), agentes (LLM, ferramentas, MCP, memória), e recursos (APIs, sistemas existentes, execução de código).•Agentes resolvem aquilo que é feito todos os dias, para deixar mais barato e mais fácil.•A interação com agentes não deve ser via ChatGPT genérico, mas sim aplicativos desenhados para facilitar a interação.•Essa arquitetura não é nova, foi validada na prática.Estratégia: experimentação e atualização de mapas ⏱ 72:02
•Excelência operacional exige padronização, mas padronização não abre espaço para experimentação – e não se inova sem experimentar.•Soluções em nuvem, agentes prontos, etc., são formas baratas e menos arriscadas de experimentar.•É estratégico ser experimental: 30% de qualquer coisa é muita coisa.•Para convencer pessoas resistentes, é preciso atualizar o mapa delas – não adianta só falar; é preciso levá-las junto na viagem.•Exemplo: viagem de Porto Alegre a Florianópolis – quem tem referência de 20 anos atrás acha horrível, mas hoje a viagem é tranquila (pista duplicada, nova ponte).Pontos-chave
•Tecnologia não deve ser restrição, mas enabler; o desafio é reduzir custo e risco de mudança.•O foco da IA deve ser tornar mais barato e mais fácil o que se faz todos os dias, não a grande transformação.•30% do trabalho na Microsoft já é feito por IA; não adotar IA configura risco competitivo.•A função do júnior está sumindo em todos os mercados; é preciso desenvolver habilidades raras e úteis.•Para estratégia, pergunte o que não vai mudar nos próximos 10 anos, não o que vai mudar.•A arquitetura de soluções com IA deve separar interações, agentes e recursos, usando MCP e memória.•Para convencer pessoas, é preciso atualizar seus mapas mentais, não apenas apresentar argumentos.Conclusão
O futuro é moldado por aqueles que pensam diferente, vendo coisas que todos veem mas pensando diferente. O trabalho de tecnologia é cada vez menos sobre software e mais sobre desenvolver gente.